Governador de Goiás afirma que embate entre Supremo e Congresso aumenta polarização política no país e prejudica debate eleitoral.

O  ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado, subiu o tom contra o Supremo Tribunal Federal após a decisão do ministro Alexandre de Moraes de suspender a aplicação da chamada Lei da Dosimetria.

Em declaração, Caiado classificou a medida como “deplorável” e afirmou que o conflito entre STF e Congresso Nacional vem ampliando a polarização política no Brasil.

“Decisão deplorável, um desserviço à democracia. Só faz aflorar a radicalização na política, favorece a polarização, que nunca foi um traço da política brasileira”, declarou o governador.

A fala ocorre um dia após Moraes determinar a suspensão da nova legislação aprovada pelo Congresso e promulgada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

A Lei da Dosimetria prevê mudanças nas penas relacionadas aos condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro e acabou se transformando em novo foco de tensão entre Judiciário e Legislativo.

Na decisão, Moraes alegou necessidade de segurança jurídica até que o STF julgue ações que questionam a constitucionalidade da lei.

Para Caiado, porém, o tema estaria desviando o foco dos principais problemas do país. “Priorizar o 8 de Janeiro é condenar o Brasil a não ter futuro”, afirmou. O governador também criticou o embate institucional entre os Poderes e pediu um freio na escalada da crise política. “Essa queda de braço do Supremo com o Congresso precisa ter um ponto final. É inaceitável em uma democracia”, disse.

Nos bastidores políticos, a declaração reforça o movimento de Caiado em direção a um discurso mais crítico ao STF, especialmente em pautas ligadas à atuação da Corte sobre decisões do Congresso Nacional. O posicionamento aproxima o governador goiano de outros nomes da direita e centro-direita que vêm defendendo limites à atuação do Supremo, entre eles o governador de Minas Gerais, Romeu Zema.

Apesar disso, aliados avaliam que Caiado tenta manter um tom mais institucional em relação ao STF, evitando ataques pessoais aos ministros da Corte. A suspensão da Lei da Dosimetria abriu mais um capítulo da disputa política e jurídica envolvendo os desdobramentos dos atos de 8 de janeiro, tema que deve continuar no centro do debate nacional e das articulações para as eleições presidenciais de 2026.

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