Empresária Maria Helena de Sousa Netto Costa, apontada pela Polícia Federal como integrante de uma rede que teria movimentado R$ 45 milhões, deixou a prisão após decisão da Justiça Federal. Ela deverá usar tornozeleira eletrônica por 90 dias enquanto as investigações continuam.
A empresária Maria Helena de Sousa Netto Costa, sogra do governador de Goiás, Daniel Vilela, foi solta pela Justiça Federal após permanecer mais de 24 horas presa em Goiânia durante operação da Polícia Federal que investiga um esquema de migração ilegal de brasileiros para os Estados Unidos.
Segundo a decisão judicial, Maria Helena deverá cumprir medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica pelo prazo inicial de 90 dias. A empresária é investigada por suspeita de participação em um esquema que, de acordo com a Polícia Federal, movimentou cerca de R$ 45 milhões. A defesa da empresária afirmou, em nota, que a revogação da prisão preventiva representa o reconhecimento da “desnecessidade” da medida extrema e pediu respeito ao princípio da presunção de inocência.
As investigações apontam que Maria Helena integraria uma estrutura criminosa voltada à promoção de imigração ilegal para os Estados Unidos. Conforme a Polícia Federal, ela manteria contato com “coiotes”, atravessadores responsáveis por conduzir imigrantes pela fronteira do México com os EUA ,além de atuar na compra de passagens e organização logística das viagens.
Apesar da ligação familiar com o governador, a Polícia Federal informou que Daniel Vilela e a esposa não são investigados. Em nota, o governador declarou que os fatos apurados são investigados desde os anos 2000 e que não possuem qualquer relação com ele, sua esposa ou o Governo de Goiás.
Além de Maria Helena, outras três pessoas foram alvo da operação em Goiás. Juliana Rosa Tomé Fróes, apontada como responsável pela captação de clientes e gestão da logística das viagens, também foi solta mediante uso de tornozeleira eletrônica por 90 dias. A defesa de Juliana alegou que auxiliar brasileiros a se apresentarem às autoridades norte-americanas para solicitar asilo não configura crime.
Já Fabio Rodrigo Fróes, marido de Juliana, permanecia preso até a última atualização do caso. Valéria Divina de Macedo, apontada como responsável pela parte financeira e operacional do esquema, também seguia detida.
Segundo a Polícia Federal, ao menos 463 brasileiros foram identificados como clientes da organização criminosa. As investigações revelam que cinco grupos independentes atuavam de forma integrada, compartilhando estruturas financeiras, operacionais e logísticas. A PF estima que os grupos investigados movimentaram aproximadamente R$ 240 milhões entre 2018 e 2023 por meio dos esquemas ligados à migração ilegal. Os investigados podem responder por promoção de imigração ilegal, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

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