Wilson Santiago destinou mais de R$ 203 mil da cota parlamentar a empresa ligada a sobrinhos, em despesa que contraria normas internas da Câmara dos Deputados

O uso da verba pública por parlamentares voltou ao centro das atenções após vir à tona que o deputado federal Wilson Santiago (Republicanos-PB) destinou R$ 203 mil da cota parlamentar para o aluguel de veículos de luxo junto a uma empresa pertencente a familiares diretos. A revelação expõe uma possível violação das regras da Câmara dos Deputados e reacende o debate sobre fiscalização, transparência e uso ético dos recursos públicos.

Os pagamentos foram realizados à Construtora e Locadora JMX, empresa que tem entre seus sócios dois sobrinhos do parlamentar: Thiago Santiago e Thaísa Santiago, filhos de José Milton Santiago, irmão falecido do deputado. A relação familiar, por si só, já torna os reembolsos incompatíveis com o regulamento da Casa, que proíbe expressamente o ressarcimento de despesas feitas com empresas pertencentes a parentes até o terceiro grau, categoria na qual sobrinhos estão incluídos.

Em resposta a questionamentos, a própria Câmara dos Deputados reiterou a existência da vedação e admitiu que, caso a irregularidade seja confirmada, os valores poderão ser cobrados de volta. O caso pode abrir caminho para apuração administrativa e eventual responsabilização.

As notas fiscais emitidas pela empresa revelam o aluguel de veículos de alto padrão, incluindo um Tiggo 7, da Caoa Chery, e um Jeep Commander — SUV considerada de categoria premium no mercado nacional. Apenas a nota fiscal mais recente, emitida em março deste ano, aponta o pagamento de R$ 12 mil referentes a um único mês de locação do Jeep Commander.

Parte da documentação anexada aos pedidos de reembolso inclui recibos assinados por Thiago Santiago, também conhecido politicamente como Thiago de Azulão, vereador do município de Uiraúna, na Paraíba, eleito igualmente pelo Republicanos. Em alguns casos, a assinatura consta em nome de sua filha.

A operação chama atenção não apenas pelo vínculo familiar, mas pelo volume expressivo de recursos públicos movimentados. O montante supera R$ 200 mil, valor que poderia ser destinado a outras atividades parlamentares diretamente ligadas ao exercício do mandato.

Até o fechamento desta reportagem, Wilson Santiago não havia se manifestado sobre o caso. O silêncio do parlamentar amplia o desgaste político em torno da denúncia, especialmente em um momento de crescente cobrança popular por maior rigor no controle dos gastos públicos.

O episódio se soma a uma série de questionamentos históricos envolvendo o uso da cota parlamentar, mecanismo criado para custear despesas relacionadas ao mandato, mas que frequentemente se torna alvo de denúncias sobre brechas exploradas por parlamentares.

Agora, caberá à Câmara analisar a legalidade dos reembolsos e decidir se haverá exigência de devolução dos recursos. Mais do que um caso isolado, a situação lança luz sobre uma prática que expõe fragilidades no sistema de controle e reforça a necessidade de mecanismos mais rígidos de fiscalização dentro do Congresso Nacional.

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