Órgão aponta execução de três vítimas e contesta versão de confronto apresentada por policiais militares

O Ministério Público de Goiás (MPGO) denunciou um coronel e um tenente-coronel da Polícia Militar pelas mortes de três homens durante uma operação realizada em fevereiro de 2023, em Abadia de Goiás. A denúncia foi formalizada nesta semana e traz uma versão que diverge diretamente do que foi apresentado pelos policiais à época dos fatos.

Entre as vítimas está Felipe Ramos Morais, apontado como ex-piloto ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo as investigações, ele também teria colaborado com a Polícia Federal, fornecendo informações que ajudaram em apreensões de bens da organização criminosa.

De acordo com o MPGO, as três vítimas ,Felipe, além dos mecânicos Nathan Moreira Cavalcante e Paulo Ricardo Pereira Bueno, não reagiram à abordagem policial. A denúncia afirma que os disparos foram feitos sem que houvesse agressão prévia, inclusive com tiros pelas costas, o que caracterizaria execução.

A versão contrasta com o relato inicial dos policiais envolvidos, que afirmaram ter sido recebidos a tiros ao chegarem ao local, o que teria motivado o revide. Na ocasião, equipes do Comando de Operações do Cerrado (COD) foram enviadas após denúncia de que a área estaria sendo usada para atividades relacionadas ao tráfico com aeronaves.

Segundo o Grupo de Atuação Especial no Controle Externo da Atividade Policial (Gaesp), responsável pela investigação, provas técnicas indicam inconsistências na versão de confronto. Entre os pontos levantados está o fato de que as armas atribuídas às vítimas estavam com capacidade máxima de munição, sugerindo que não foram disparadas.

Além disso, não foram encontrados vestígios de resíduos de tiros nas vítimas, nem indícios de disparos feitos por elas no local. A denúncia também aponta que houve alteração na cena do crime, com recolhimento de cápsulas deflagradas e movimentação dos corpos.

Para o Ministério Público, essas ações teriam como objetivo simular uma situação de legítima defesa e dificultar a responsabilização dos envolvidos. Os militares agora responderão ao processo, que deve avançar para as próximas fases na Justiça.

A defesa dos policiais não foi localizada até o momento. O espaço segue aberto para manifestação.

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