Alimentos, energia elétrica e despesas com saúde puxaram a alta dos preços; resultado ficou acima das expectativas do mercado financeiro

A inflação oficial do Brasil voltou a acelerar em maio e registrou alta de 0,58%, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com o resultado, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado o principal indicador da inflação no país, acumula avanço de 4,72% nos últimos 12 meses.

O índice ficou acima das projeções do mercado financeiro. Analistas consultados pela agência Reuters esperavam uma alta de 0,53% no mês e de 4,66% no acumulado anual.

Os principais responsáveis pela elevação dos preços foram os grupos de alimentos e bebidas, habitação e saúde e cuidados pessoais. Juntos, eles responderam pela maior parte do resultado registrado em maio.

O grupo de alimentos e bebidas apresentou alta de 1,33%, sendo responsável por aproximadamente metade da inflação do período. Entre os produtos que mais pesaram no bolso dos consumidores estão a batata-inglesa, que subiu 44,69%, o tomate, com aumento de 20,62%, e a cebola, que ficou 16,80% mais cara.

As carnes também registraram elevação de preços, com avanço de 1,39% no mês. Segundo o IBGE, fatores como redução da oferta de alguns produtos agrícolas e aumento dos custos de transporte contribuíram para as altas observadas.

Por outro lado, alguns itens apresentaram queda. O café moído ficou 2,38% mais barato, enquanto as frutas registraram redução média de 0,70%.

Outro setor que pressionou a inflação foi o de habitação. O grupo avançou 1,22%, impulsionado principalmente pela energia elétrica residencial, que teve aumento de 3,67%.

A alta da conta de luz foi influenciada pela adoção da bandeira tarifária amarela durante o mês de maio, além de reajustes autorizados em diversas concessionárias pelo país. O impacto da energia elétrica foi o maior entre todos os itens pesquisados individualmente pelo IBGE.

Na área da saúde e cuidados pessoais, a inflação foi de 0,90%. Os maiores aumentos ocorreram nos artigos de higiene pessoal, especialmente perfumes, que ficaram 4,42% mais caros. Os planos de saúde também contribuíram para o resultado, com reajuste médio de 0,50%.

Enquanto a maioria dos grupos registrou aumento, o setor de transportes foi o único a apresentar queda. O grupo recuou 0,46%, influenciado principalmente pela redução dos preços dos combustíveis.

O etanol teve queda de 6,20%, enquanto o óleo diesel ficou 2,34% mais barato. Já a gasolina recuou 1,46%, contribuindo para amenizar parte da pressão inflacionária observada no mês.

Entre as capitais pesquisadas, Aracaju e Campo Grande registraram as maiores variações, ambas com inflação de 1,31%. Já Curitiba apresentou a menor taxa, com avanço de 0,29%.

Os números reforçam o desafio do governo e do Banco Central em manter a inflação dentro da meta estabelecida para 2026. Apesar da desaceleração observada em alguns segmentos, o comportamento dos alimentos e da energia segue sendo um dos principais fatores de preocupação para consumidores e autoridades econômicas.

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