Marcelo Arantes é investigado por crimes sexuais contra ao menos 20 mulheres; denúncias apontam abusos durante consultas ao longo de quase uma década

A prisão preventiva do ginecologista Marcelo Arantes, realizada na quarta-feira (23), escancara um caso grave que vinha se arrastando há anos em Goiás. O médico, com mais de duas décadas de atuação, é investigado por estupro de vulnerável e acumula denúncias de ao menos 20 mulheres em Goiânia e Senador Canedo, na Região Metropolitana.

A ação foi conduzida pela Polícia Civil de Goiás, por meio da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Senador Canedo. A decisão pela prisão veio após o avanço das investigações e o aumento significativo no número de vítimas que procuraram a polícia.

O padrão relatado pelas mulheres chama atenção. Segundo os depoimentos, os abusos aconteciam durante consultas ginecológicas, em momentos em que o médico já havia conquistado a confiança das pacientes. A relação de vulnerabilidade, típica desse tipo de atendimento, teria sido explorada de forma sistemática.

A delegada responsável pelo caso, Amanda Menuci, foi direta ao classificar o comportamento do investigado: há indícios de um perfil predatório. Em um dos relatos mais impactantes, uma vítima afirmou que levou a própria filha para acompanhá-la na consulta, numa tentativa de evitar qualquer situação inadequada. Ainda assim, segundo a investigação, o médico teria cometido atos libidinosos mesmo com outra pessoa presente no consultório.

A linha do tempo dos casos mostra que não se trata de episódios isolados. A primeira denúncia registrada é de 2017, em Senador Canedo. Em 2020, surgiu outro relato em Goiânia. Já entre 2025 e 2026, houve uma explosão de denúncias: 18 novas vítimas, sendo a maioria também em Senador Canedo.

Esse aumento recente tem relação direta com a divulgação da identidade e da imagem do médico. A exposição foi autorizada pela polícia justamente para encorajar outras possíveis vítimas a se manifestarem e funcionou. O número de denúncias saltou rapidamente após a divulgação.

Antes da prisão, a Justiça havia negado um pedido anterior de detenção, optando apenas por medidas cautelares. Com o avanço das investigações e o volume de relatos, o cenário mudou.

Paralelamente à esfera criminal, o Conselho Regional de Medicina de Goiás (Cremego) já havia suspendido o registro profissional do médico por decisão judicial no dia 16 de abril. O órgão informou que segue apurando as denúncias dentro do sigilo previsto no código de ética médica.

A defesa do ginecologista contesta as acusações. O advogado Rodrigo Lustosa criticou o que chamou de “linchamento moral” e afirmou que a exposição do caso pode comprometer princípios fundamentais do direito. Ele sustenta que denúncias, por si só, não comprovam a ocorrência dos fatos.

Mesmo com essa posição, o caso segue ganhando força à medida que mais mulheres se apresentam. A investigação continua em andamento e não está descartada a possibilidade de surgirem novas denúncias.

O que está em jogo agora vai além da responsabilização individual. O caso levanta um alerta sério sobre segurança em ambientes médicos e a importância de mecanismos que garantam proteção às pacientes, especialmente em atendimentos sensíveis como os ginecológicos.

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