Grupo de 11 a 14 anos foi surpreendido pela subida repentina do nível da água no Córrego Macambira; bombeiros localizaram jovens pelos gritos e fizeram resgate em corrente humana
Quatro adolescentes passaram por momentos de tensão na tarde de terça-feira (21), após ficarem ilhados em uma área de mata durante uma trilha em Goiânia. O grupo, formado por dois meninos e duas meninas com idades entre 11 e 14 anos, estava na região do Bairro Goiá, onde passa o Córrego Macambira, quando foi surpreendido por uma cabeça d’água.
Segundo o Corpo de Bombeiros, o nível do córrego subiu rapidamente após uma chuva intensa, impedindo o retorno dos jovens e deixando o grupo cercado pela água. Apesar da situação de risco, os adolescentes conseguiram acionar o socorro utilizando um celular.
A operação de resgate, no entanto, enfrentou dificuldades. A falta de sinal de internet impediu que os jovens compartilhassem a localização exata, obrigando as equipes a entrarem na mata e iniciarem buscas guiadas pelos gritos de socorro.
Quando os bombeiros finalmente localizaram o grupo, o nível da água já havia começado a baixar, o que ajudou na retirada com segurança. Ao todo, sete militares participaram da ação.
Para atravessar o trecho ainda alagado, os bombeiros montaram uma corrente humana e realizaram o resgate individualmente. Cada adolescente foi equipado com colete de proteção antes de atravessar o córrego.
Durante a operação, uma cena chamou atenção: um dos militares utilizou a própria farda para aquecer uma das adolescentes, que apresentava sinais de frio após o tempo exposta à água e à chuva.
Em relato à TV Anhanguera, um dos adolescentes contou que o grupo não imaginava o risco ao iniciar a trilha. Segundo ele, não chovia no momento da chegada ao local e o nível da água estava baixo.
“Fomos lá com a intenção de fazer uma trilha. Aí a água aumentou. A gente teve a ideia de chamar os bombeiros para não acontecer mais nada com a gente”, disse.
Apesar do susto, nenhum dos adolescentes ficou ferido. Eles foram avaliados ainda no local pelos socorristas, não precisaram de encaminhamento médico e recusaram transporte.
Além do episódio com os jovens, a chuva rápida que atingiu Goiânia no fim da tarde causou diversos estragos pela cidade. Em menos de uma hora, mais de 14 árvores caíram, além de galhos de grande porte, o que provocou bloqueios em vias e interrupções no fornecimento de energia elétrica em alguns bairros.
Na Avenida Castelo Branco, uma árvore caiu e deixou um galho atravessado na pista. Já na Avenida Leste-Oeste, uma palmeira precisou ser removida após bloquear a via. Também houve registro de queda de árvore na divisa entre os bairros Jardim Diamantina e Gentil Meirelles.
De acordo com balanço das autoridades, mais de 24 chamados foram registrados, sendo ao menos 10 relacionados à queda de galhos de grande porte. Em algumas regiões, a fiação elétrica chegou a cair sobre veículos.
Equipes da concessionária de energia atuaram para restabelecer o fornecimento, enquanto a Companhia de Urbanização trabalhou na retirada das árvores e na liberação das vias afetadas.
O caso dos adolescentes reforça o risco de trilhas em áreas próximas a córregos e rios durante períodos de instabilidade climática, especialmente quando há possibilidade de cabeça d’água — fenômeno caracterizado pela elevação repentina do nível da água, mesmo sem chuva no local exato.

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