Decisão determina interrupção dos serviços, proíbe novas contratações semelhantes para atividades rotineiras e dá 90 dias para município avaliar concurso público para procuradores

A Justiça determinou a suspensão imediata do contrato de serviços jurídicos firmado entre a Prefeitura de Aparecida de Goiânia e o escritório Wandir Allan & Talita Hayasaki Sociedade de Advogados. A decisão também estabelece restrições a novas contratações de escritórios externos para atividades rotineiras da Procuradoria Municipal, permitindo exceções apenas em situações específicas e devidamente justificadas.

Além de suspender o contrato, a decisão estabelece prazo de 90 dias para que o município apresente um estudo sobre a necessidade de realização de concurso público para procuradores municipais. O descumprimento das determinações poderá resultar em multa diária de R$ 2 mil.

O processo seguirá com a citação dos réus para apresentação de defesa. Depois das contestações, o Ministério Público de Goiás (MPGO) terá 15 dias para se manifestar.

Ministério Público questionou contratação

O contrato foi firmado em 2025 por meio de inexigibilidade de licitação, procedimento que permite a contratação direta em situações previstas na legislação. Em fevereiro deste ano, o Ministério Público de Goiás recomendou a suspensão do acordo, argumentando que os serviços contratados corresponderiam a atribuições próprias da Procuradoria-Geral do Município e poderiam comprometer o princípio da economicidade na administração pública.

O MPGO também questionou o atendimento aos requisitos legais para a contratação direta, entre eles a natureza excepcional dos serviços, a notória especialização do escritório e a comprovação da inviabilidade de competição.

Outro ponto levantado pelo órgão foi o parecer favorável à contratação, elaborado por um servidor que, segundo o Ministério Público, não teria atribuição para emitir esse tipo de manifestação.

Um dos sócios do escritório é Wandir Allan de Oliveira, ex-procurador-geral do Município de Goiânia, que pediu exoneração do cargo em setembro, em razão do período eleitoral.

Escritório contesta decisão

Em nota, o escritório Wandir Allan & Talita Hayasaki Sociedade de Advogados defendeu a legalidade da contratação e afirmou que a decisão judicial contraria a legislação vigente e o entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF).

A banca sustenta que os serviços prestados são de consultoria estratégica e não substituem as atribuições institucionais da Procuradoria Municipal. O escritório informou ainda que adotará medidas judiciais para tentar reverter a liminar.

Prefeitura também vai recorrer

A Prefeitura de Aparecida de Goiânia informou que suspendeu a execução do contrato assim que tomou conhecimento da ação do Ministério Público. A administração municipal também defende a legalidade da contratação e afirma que os serviços de consultoria estratégica não substituem as funções da Procuradoria Municipal.

O município informou que apresentará defesa no processo e recorrerá da decisão.

A suspensão do contrato e a determinação para que a prefeitura avalie a necessidade de concurso público colocam em discussão o modelo de contratação de serviços jurídicos pela administração municipal e os limites para a utilização de escritórios externos em atividades que podem integrar as atribuições permanentes da estrutura pública.

Deixe um comentário

Designed with WordPress

Descubra mais sobre Portal Paulo Lica

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo