Coronel Almeida, presidente da associação dos veteranos de Goiás, acusa governo de ignorar aposentados e pensionistas da segurança pública: “Não aceitaremos ser tratados como profissionais de segunda categoria”

O anúncio do pacote de valorização das forças de segurança pública de Goiás, com investimento superior a R$ 1,2 bilhão até 2027, provocou forte reação entre veteranos e pensionistas das corporações estaduais. Enquanto o governo estadual celebrou o programa como um marco histórico para a segurança pública, representantes dos inativos afirmam que ficaram completamente de fora das negociações e denunciam o que classificam como “abandono institucional”.

A manifestação mais contundente veio do coronel Almeida, presidente da Associação dos Veteranos do Estado de Goiás (Avego), que fez um duro pronunciamento direcionado ao governador Daniel Vilela. Em tom de indignação, o militar da reserva afirmou que os homens e mulheres que dedicaram décadas à segurança pública estão sendo esquecidos justamente no momento em que o governo anuncia investimentos recordes para a área.

Segundo Almeida, o principal ponto de revolta é o fato de entidades que representam exclusivamente aposentados e pensionistas não terem sido chamadas para participar das discussões do pacote anunciado pelo governo. O coronel cita diretamente a Avego e a Ofmil como organizações ignoradas durante as tratativas.

O governo estadual informou que o plano foi construído após diálogo com representantes das categorias e prevê benefícios como auxílio-alimentação de R$ 1 mil para cerca de 24 mil servidores da ativa, além de reajustes, gratificações e reestruturações de carreira.

Para os veteranos, no entanto, a criação de benefícios indenizatórios exclusivos para servidores da ativa representa uma ruptura prática da paridade entre ativos e inativos. Almeida argumenta que policiais e bombeiros aposentados passarão a receber, na prática, valores inferiores aos colegas da ativa que ocupam a mesma patente ou graduação.

“O resultado é humilhante. O veterano vai receber mil reais a menos no bolso”, afirmou o presidente da associação durante o pronunciamento.

A fala ecoa um sentimento crescente entre militares da reserva e pensionistas, especialmente diante do aumento do custo de vida e das despesas com saúde. O coronel também criticou o reajuste geral de 4,26% concedido ao funcionalismo estadual, classificando o índice como insuficiente diante da inflação acumulada e das dificuldades enfrentadas pelos aposentados.

O pacote anunciado por Daniel Vilela foi apresentado como uma das maiores ações de valorização da segurança pública no estado, em meio ao discurso do governo de manutenção dos baixos índices de criminalidade e fortalecimento das forças policiais.

Mesmo assim, a reação dos veteranos abre uma nova frente de desgaste político para o Palácio das Esmeraldas. Almeida afirmou que as associações agora irão intensificar a pressão junto à Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), buscando apoio dos deputados estaduais para rever os critérios do pacote.

“Nós exigimos compensação financeira justa, assento nas mesas de negociação e respeito à nossa história”, declarou.

Nos bastidores da segurança pública, o clima é de divisão. Enquanto servidores da ativa comemoram os novos benefícios, aposentados e pensionistas avaliam que estão sendo deixados para trás após décadas de serviços prestados ao estado.

A crise expõe um debate delicado dentro da segurança pública goiana: como equilibrar a valorização dos profissionais que hoje estão nas ruas sem provocar sentimento de abandono entre aqueles que ajudaram a construir a estrutura das corporações ao longo dos anos.

Para os veteranos, a luta agora deixa os quartéis e ganha os corredores da Alego. E, ao que tudo indica, o embate político sobre o pacote bilionário da segurança pública está apenas começando.

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