Candidato a deputado federal afirma que o STF já foi referência no combate à corrupção, mas diz que a Corte perdeu credibilidade diante dos episódios envolvendo o Banco Master
Em entrevista ao Portal Paulo Lica, o vereador Major Vitor Hugo, candidato a deputado federal, criticou a atual atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) e relacionou sua avaliação às recentes revelações envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Entre os pontos citados pelo candidato está o contrato de R$ 131 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes, ligado à advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes. O acordo, firmado em 2024, previa serviços jurídicos e consultoria em procedimentos e investigações perante órgãos públicos, além de processos judiciais.
Major Vitor Hugo afirmou que, no passado, via o Supremo como uma instituição que enfrentava grandes interesses políticos e econômicos. Ele citou como referência os julgamentos do Mensalão e do Petrolão.
“Eu vi no passado, eu me inspirei no julgamento do Mensalão, do Petrolão, no passado em que eu vi ministros do Supremo enfrentando efetivamente grandes poderes econômicos, políticos”, afirmou.
Na avaliação do candidato, aquele período transmitia a imagem de uma Corte disposta a responsabilizar pessoas acusadas de crimes. Ele afirmou, porém, que posteriormente teria ocorrido um processo de reversão de decisões relacionadas à Lava Jato, ao Petrolão e ao Mensalão.
“Depois, ao longo do tempo, nós começamos a ver um desmonte, desmanchando tudo aquilo que foi feito, da Lava Jato, do Petrolão, do Mensalão”, declarou.
Ao comentar as informações relacionadas a Daniel Vorcaro, Vitor Hugo também questionou os valores envolvidos no contrato advocatício.
“Eu sou advogado, nunca vi um contrato de 140, 130 milhões de reais, de milhões e milhões de reais, sem um objetivo específico, claro”, disse.
O contrato de R$ 131 milhões ganhou repercussão após a Polícia Federal identificar, na análise dos metadados do documento, alterações associadas a um perfil identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”. O escritório Barci de Moraes confirmou que o ministro teve acesso ao contrato e afirmou que ele foi consultado pelo setor de compliance para verificar eventual existência de impedimentos legais.
Alexandre de Moraes, por sua vez, negou irregularidades e afirmou que nunca julgou causa envolvendo o Banco Master ou Daniel Vorcaro. Em manifestação ao STF, também defendeu o direito profissional de sua esposa e dos filhos, que são advogados.
Durante a entrevista, Major Vitor Hugo também defendeu mudanças na composição política do Congresso e do STF. Segundo ele, seria necessário eleger uma maioria conservadora na Câmara e no Senado e um presidente de direita.
O candidato citou especificamente o senador Flávio Bolsonaro como nome que, em sua avaliação, poderia realizar novas indicações para o Supremo caso chegasse à Presidência da República.
“Precisamos ter maioria conservadora na Câmara e no Senado e precisamos ter um presidente da República de direita, que é o Flávio Bolsonaro”, afirmou.
Vitor Hugo também defendeu que eventuais ministros indicados por um governo de direita não deveriam atuar como políticos dentro da Corte.
“Não é que a gente queira que eles sejam políticos. A gente queira que eles sejam ministros, magistrados, imparciais, mas que tenham no coração os valores de honestidade e propósito, de valores judaico-cristãos, que nos trouxeram até aqui, de valores de probidade, de verdade, de autocontenção”, declarou.
As declarações ocorrem em meio às investigações envolvendo o Banco Master, Daniel Vorcaro e diferentes episódios relacionados ao STF. As suspeitas e acusações mencionadas nas investigações ainda são objeto de apuração e não significam, por si só, comprovação de ilícitos pelas pessoas citadas.
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