Coopanest-GO afirma que Prefeitura não cumpriu compromisso assumido após paralisação anterior; procedimentos eletivos estão suspensos desde a manhã deste domingo
A crise envolvendo os serviços de anestesiologia da rede municipal de saúde de Aparecida de Goiânia ganhou um novo capítulo neste domingo (21). A Cooperativa dos Médicos Anestesiologistas de Goiás (Coopanest-GO) anunciou a suspensão dos procedimentos eletivos realizados por seus cooperados que prestam serviços à Secretaria Municipal de Saúde.
Segundo comunicado da entidade, a paralisação começou às 7 horas e foi motivada por débitos da Prefeitura de Aparecida de Goiânia que, de acordo com a cooperativa, ultrapassam R$ 10 milhões.
O problema, porém, não começou agora.
Em maio deste ano, os anestesiologistas já haviam suspendido procedimentos eletivos na rede municipal. Na ocasião, a Coopanest-GO informou que os atrasos acumulados chegavam a R$ 10.925.180,26, referentes a serviços prestados entre julho de 2025 e abril de 2026.
Dados divulgados naquele período pela cooperativa ajudaram a dimensionar o impacto do serviço sobre a saúde pública aparecidense. Em 2025, os profissionais teriam atendido 25.908 pacientes e participado de 32.382 procedimentos, entre cirurgias, partos e exames. A estimativa divulgada na paralisação anterior apontava impacto sobre uma média de aproximadamente 2,6 mil atendimentos mensais.
NEGOCIAÇÃO E RETOMADA
Após a primeira paralisação, houve uma tentativa de negociação.
A própria nota divulgada agora pela Coopanest-GO registra que, no início de junho, a cooperativa atendeu ao Ofício nº 0354/2026, encaminhado pela Secretaria Municipal de Saúde, solicitando o retorno integral dos serviços anestesiológicos.
Segundo a entidade, o documento apresentava a perspectiva de “quitação dos valores remanescentes” e de “priorização dos pagamentos da dívida do Fundo Municipal de Saúde”.
Diante das tratativas, os serviços foram retomados.
Poucos meses depois, entretanto, o problema voltou à tona. A Coopanest-GO afirma que os compromissos financeiros não foram cumpridos pela gestão municipal e sustenta que a situação tornou inviável a continuidade dos procedimentos eletivos.
A cooperativa também informou ter comunicado formalmente a Secretaria Municipal de Saúde sobre a nova suspensão e afirmou que, até a emissão da nota, não havia recebido posicionamento efetivo sobre a quitação dos valores pendentes.
PACIENTES NA FILA
A suspensão não alcança os atendimentos classificados como urgência e emergência, que permanecem mantidos. A interrupção é direcionada aos procedimentos eletivos que dependem dos serviços de anestesiologia.
Na prática, o impasse volta a atingir pacientes que aguardam procedimentos programados na rede pública municipal.
A situação preocupa especialmente porque ocorre poucos meses depois da primeira paralisação e após uma negociação que possibilitou a retomada dos serviços.
A Coopanest-GO afirma permanecer aberta ao diálogo com o Município para regularização dos débitos e retomada dos atendimentos eletivos.
O novo episódio coloca novamente no centro da discussão a capacidade da administração municipal de solucionar definitivamente a pendência. Enquanto Prefeitura e cooperativa não chegam a um novo entendimento, pacientes que dependem de procedimentos eletivos ficam diante da incerteza sobre quando o atendimento poderá ser realizado.
O espaço permanece aberto para que a Prefeitura de Aparecida de Goiânia e a Secretaria Municipal de Saúde apresentem sua versão sobre os valores apontados pela Coopanest-GO, os pagamentos já realizados e as providências previstas para a normalização dos serviços.
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