Investigação envolve ONG associada à sócia da produtora de “Dark Horse” e suspeita de desvio de recursos públicos em contrato que ultrapassa R$ 157 milhões

A Polícia Civil de São Paulo deflagrou nesta segunda-feira (1º) a chamada Operação Wi-Fi, que investiga suspeitas de fraude, irregularidades contratuais e possível desvio de recursos públicos envolvendo uma organização não governamental ligada à empresária Karina Ferreira Gama, sócia da Go Up Entertainment, produtora responsável pelo filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A ação ocorre após o avanço de um inquérito que tramita sob sigilo e já mobiliza também o Ministério Público de São Paulo.

O foco da investigação é o contrato firmado entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade presidida por Karina Ferreira Gama. O acordo previa a instalação e manutenção de pontos de internet gratuita em comunidades da capital paulista. Inicialmente estimado em R$ 108 milhões, o contrato recebeu sucessivos aditivos e alcançou o valor de aproximadamente R$ 157,1 milhões. Segundo a Polícia Civil, há indícios de que parte dos pagamentos possa ter sido realizada sem a efetiva prestação dos serviços contratados.

As investigações apontam suspeitas de frustração do caráter competitivo da licitação, fraude na execução contratual e emprego irregular de verbas públicas. Diante dos indícios levantados, a Polícia Civil solicitou à Justiça acesso a relatórios financeiros sigilosos relacionados à empresária e à ONG, buscando rastrear a movimentação dos recursos públicos envolvidos.

A Prefeitura de São Paulo afirmou que não identificou irregularidades na execução do contrato e informou que os sistemas monitorados pela administração municipal registram milhares de pontos de internet em funcionamento. A gestão municipal declarou ainda que colaborará com as investigações e que eventuais irregularidades serão apuradas e punidas caso sejam comprovadas.

O caso ganhou ainda mais repercussão devido à ligação da entidade investigada com a produção de Dark Horse, filme que retrata a trajetória política de Jair Bolsonaro. A produção, prevista para estrear em 2026, é dirigida por Cyrus Nowrasteh e tem o ator norte-americano Jim Caviezel no papel do ex-presidente brasileiro. O projeto já vinha sendo alvo de controvérsias e denúncias relacionadas aos bastidores das filmagens e à origem de recursos utilizados na produção.

Nos últimos meses, o Ministério Público e órgãos de controle também passaram a analisar possíveis conexões financeiras entre empresas, organizações sociais e contratos públicos ligados ao grupo empresarial responsável pelo longa-metragem. Embora não haja, até o momento, acusação formal relacionando diretamente a produção do filme aos supostos desvios investigados, a proximidade societária entre os envolvidos levou as autoridades a aprofundarem as apurações.

A Polícia Civil não divulgou detalhes sobre eventuais mandados cumpridos nem sobre possíveis investigados específicos, alegando sigilo processual. As investigações seguem em andamento e novas diligências não estão descartadas nos próximos dias.

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