Gestão afirma ter herdado passivos milionários, bloqueios judiciais e dificuldades para manter as contas em equilíbrio; prefeita diz que município enfrenta um dos momentos mais delicados de sua história recente

A Prefeitura de Iporá decretou estado de calamidade financeira após apontar uma dívida acumulada de aproximadamente R$ 92,9 milhões. Segundo a administração municipal, a situação encontrada no início da atual gestão compromete a capacidade financeira do município e exige medidas emergenciais para reequilibrar as contas públicas.

De acordo com a prefeita Maysa Cunha, ao assumir a administração foram encontrados apenas R$ 143,6 mil em recursos disponíveis, enquanto uma série de débitos e obrigações financeiras pressionavam o orçamento municipal.

A gestora afirma que a prefeitura herdou passivos milionários que impactam diretamente a prestação de serviços públicos e a capacidade de investimento da administração. Entre os desafios enfrentados estão bloqueios judiciais, dívidas previdenciárias, precatórios, despesas trabalhistas e compromissos financeiros acumulados ao longo dos últimos anos.

Em comunicado à população, Maysa Cunha afirmou que recebeu uma cidade em situação financeira delicada e destacou que a atual gestão trabalha para recuperar o equilíbrio das contas.

“Nós herdamos uma cidade cheia de desafios e afundada em dívidas. Herdamos quase R$ 100 milhões em dívidas da gestão passada. Isso prejudicou servidores, famílias e nos trouxe tantos outros problemas. Mas sigo de cabeça erguida e com muita responsabilidade e coragem para enfrentar situações difíceis, como os bloqueios de dinheiro das contas da prefeitura por pendências anteriores”, declarou.

Entre os débitos apontados pela administração municipal está a folha salarial de dezembro de 2024, quitada somente em janeiro deste ano, no valor bruto de R$ 8,75 milhões. Também foram identificadas despesas trabalhistas e rescisórias superiores a R$ 649 mil.

A relação de passivos inclui ainda dívidas de consignações em folha, débitos junto ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), obrigações com o Pasep e pendências financeiras com o Ipasgo. Somadas, essas obrigações representam milhões de reais em compromissos assumidos pelo município.

Outro fator que preocupa a gestão é a dívida com a Equatorial Energia, que ultrapassa R$ 5,3 milhões. Além disso, a prefeitura aponta a existência de precatórios pendentes, retenções bancárias automáticas e bloqueios judiciais que afetam diretamente o fluxo financeiro municipal.

Segundo a administração, a arrecadação atual não acompanha o volume de despesas e compromissos herdados, criando um cenário de desequilíbrio fiscal que dificulta a manutenção dos serviços públicos e limita investimentos em áreas essenciais.

A prefeitura afirma que o decreto de calamidade financeira permitirá a adoção de medidas excepcionais para reorganizar as finanças municipais, reduzir despesas e buscar alternativas que garantam a continuidade dos serviços prestados à população.

Enquanto busca recuperar a saúde financeira do município, a gestão municipal sustenta que seguirá adotando medidas de contenção de gastos e renegociação de débitos para enfrentar um dos momentos mais desafiadores da história recente de Iporá.

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