Nova pesquisa revela mudança no cenário eleitoral de 2026, com crescimento da rejeição ao senador e impacto direto da divulgação de áudios com o banqueiro Daniel Vorcaro
O cenário da corrida presidencial de 2026 ganhou novos contornos nesta terça-feira após a divulgação de uma pesquisa AtlasIntel encomendada pela Bloomberg. O levantamento mostra que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a abrir vantagem em uma eventual disputa de segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro, em um movimento que especialistas já associam diretamente ao desgaste provocado pelo caso envolvendo o Banco Master.
Segundo os dados, Lula aparece com 48,9% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro soma 41,8%, diferença de sete pontos percentuais. Em abril, os dois estavam tecnicamente empatados, cenário que agora mudou de forma significativa.
A pesquisa ouviu mais de cinco mil eleitores entre os dias 13 e 18 de maio, justamente no período em que vieram a público os áudios envolvendo Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. O episódio gerou forte repercussão política e acendeu alertas dentro do próprio campo conservador.
Além da queda nas intenções de voto, o levantamento revelou um aumento expressivo na rejeição ao senador. Hoje, 52% dos entrevistados afirmam que não votariam em Flávio Bolsonaro de maneira alguma, índice superior ao registrado pelo próprio Lula, que aparece com 50,6%.
Outro dado que chamou atenção foi o crescimento do número de eleitores indecisos ou dispostos a votar em branco e nulo. O percentual praticamente dobrou em comparação com a pesquisa anterior, chegando a 9,3%, sinalizando um eleitorado mais cauteloso e desconfiado diante das recentes denúncias.
A Bloomberg destacou ainda que, antes da divulgação dos áudios, parte da opinião pública associava o escândalo do Banco Master ao entorno político de Lula. Agora, a percepção mudou. Segundo a pesquisa, 43% dos entrevistados acreditam que aliados da família Bolsonaro estão mais ligados às supostas irregularidades, enquanto 33% atribuem maior responsabilidade ao grupo petista.
Nos bastidores de Brasília, o resultado da pesquisa aumentou a tensão dentro do PL. O partido chegou a tentar barrar judicialmente a divulgação do levantamento, alegando que as perguntas poderiam induzir respostas negativas contra Flávio Bolsonaro. A ação, no entanto, não impediu a publicação dos números.
O novo retrato eleitoral mostra que a disputa presidencial segue aberta, mas também evidencia como escândalos políticos continuam tendo potencial para alterar rapidamente o humor do eleitorado brasileiro. Com mais de um ano até a eleição, aliados de ambos os lados já enxergam a pesquisa como um termômetro importante do impacto que crises de imagem podem provocar em uma campanha presidencial.

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