Governo brasileiro opta por não chamar embaixadora em Caracas de volta ao país após declarações polêmicas sobre processo eleitoral venezuelano

Integrantes do Palácio do Planalto e do Ministério das Relações Exteriores informaram, de forma reservada, que o governo brasileiro, por ora, não pretende convocar a embaixadora Gilvânia Maria de Oliveira, que atua em Caracas. Na diplomacia, a convocação de um embaixador para consultas é um sinal de descontentamento ou reprovação de um governo em relação a outro, e, normalmente, implica substituição temporária pelo encarregado de negócios.
A tensão aumentou na semana passada, quando o governo de Nicolás Maduro chamou de volta o embaixador Manuel Vadell em resposta às “declarações intervencionistas e grosseiras” do presidente Lula, segundo autoridades venezuelanas. A situação agravou-se após a posição do Brasil em relação às eleições venezuelanas. Em julho, o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) da Venezuela reconheceu a vitória de Maduro, mas não divulgou as atas eleitorais, decisão também ratificada pela Suprema Corte do país. A oposição afirma que os documentos comprovariam a vitória de Edmundo González.
Desde então, o presidente Lula tem pressionado pela transparência dos resultados eleitorais, cobrando a divulgação das atas, o que intensificou as tensões entre os dois países. Além disso, o Brasil se opôs à entrada da Venezuela no grupo BRICS, enquanto Celso Amorim, assessor especial de Lula para assuntos internacionais, afirmou que houve uma “quebra de confiança” entre as nações.
A decisão de manter a embaixadora em Caracas reflete, segundo especialistas, a tentativa do governo brasileiro de equilibrar a crítica pública ao regime de Maduro com a preservação de canais diplomáticos para eventuais diálogos no futuro.

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