Campeã das Olimpíadas de Paris 2024 revela como a terapia ajudou a superar desafios e destaca o papel crucial do apoio psicológico no esporte de alto rendimento

“A terapia mudou completamente como lido com esses desafios”, diz Rebeca Andrade – Reprodução/Instagram

A ginasta brasileira Rebeca Andrade (25), medalhista olímpica e campeã nas Olimpíadas de Paris 2024, não só encantou o mundo com suas habilidades atléticas, mas também trouxe à tona uma discussão essencial sobre saúde mental. Em uma recente entrevista, Rebeca revelou que a terapia desempenhou um papel fundamental em sua preparação para os Jogos de Paris. “Eu era bem fechada, guardava muitas coisas para mim. A terapia mudou completamente como eu lido com esses desafios”, afirmou a atleta.

A revelação de Rebeca destaca a crescente importância da saúde mental no esporte de alto rendimento, onde a pressão para alcançar a excelência pode ser esmagadora. Em uma entrevista, a psicóloga Leticia de Oliveira, que oferece suporte emocional a atletas, ressaltou que o apoio psicológico é crucial para manter o equilíbrio mental durante o treinamento e as competições. “Muitos atletas enfrentam a expectativa do público, da mídia e de si mesmos para alcançar a perfeição. Esse acúmulo de pressão pode desencadear ansiedade, estresse e até depressão se não for adequadamente gerenciado”, explicou Leticia.

Para Rebeca, que sofreu uma grave lesão no joelho aos 16 anos, o suporte psicológico foi vital para lidar com a frustração e as adversidades que poderiam ter comprometido sua carreira. Ela compartilhou que a terapia a ajudou a processar a dor emocional e a reformular sua forma de pensar. “Fiquei muito triste e decepcionada comigo mesma, mas ao buscar ajuda, aprendi a não me cobrar tanto e a entender que desafios fazem parte do processo”, revelou.

Leticia de Oliveira enfatiza que atletas, como Rebeca, precisam desenvolver não apenas habilidades físicas, mas também ferramentas emocionais para enfrentar as pressões do esporte. “A mente precisa estar tão preparada quanto o corpo para que o atleta alcance seu melhor desempenho. O trabalho psicológico ensina técnicas de controle emocional, resiliência e autocuidado, aspectos fundamentais para suportar a pressão e manter o equilíbrio mental”, observou.

Estudos demonstram que atletas que buscam apoio psicológico tendem a ter um desempenho mais estável e a lidar com os altos e baixos do esporte de maneira saudável. “Os atletas são frequentemente vistos como ‘super-heróis’, mas são pessoas comuns que enfrentam inseguranças e medos. Humanizar essa experiência e oferecer suporte emocional adequado permite que eles superem esses obstáculos sem comprometer a saúde mental”, acrescenta a psicóloga.

O apoio psicológico também tem um impacto positivo na cultura esportiva, promovendo a discussão sobre saúde mental e rompendo tabus. A abertura de atletas de alto nível, como Rebeca Andrade, contribui para criar um ambiente mais seguro onde outros atletas se sintam à vontade para buscar ajuda. “Rebeca é uma referência e o fato de ela falar sobre terapia incentiva outros atletas a cuidarem de sua saúde mental sem medo de julgamentos”, afirma Leticia.

O exemplo de Rebeca Andrade demonstra que a busca pelo equilíbrio mental é tão crucial quanto o treinamento físico. Sua vitória em Paris foi não apenas um reflexo de sua destreza atlética, mas também de sua força emocional, construída com o apoio da terapia. Como Leticia conclui: “O sucesso de um atleta vai além das medalhas. Ele está na capacidade de enfrentar os desafios com resiliência e equilíbrio emocional, o que só é possível com um olhar atento à saúde mental.

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