Parlamentares de PT, PCdoB, PSOL e Rede alegam falta de isonomia na condução das investigações e acionam PGR e presidente do STF

A crise envolvendo as investigações do Banco Master ganhou uma nova frente em Brasília. Deputados federais do PT, PCdoB, PSOL e Rede pediram que o ministro André Mendonça seja afastado da relatoria do caso no Supremo Tribunal Federal (STF). O grupo acionou a Procuradoria-Geral da República (PGR) e também encaminhou uma petição ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin.

O documento conta com a assinatura de 17 deputados. Os parlamentares sustentam que Mendonça estaria adotando critérios diferentes na condução e na divulgação das investigações relacionadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e à Operação Compliance Zero.

Um dos principais pontos levantados pelo grupo é a manutenção do sigilo sobre investigações relacionadas ao financiamento do filme “Dark Horse“, produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo as informações divulgadas sobre o caso, US$ 12,3 milhões teriam sido repassados por Vorcaro para a produção. Os deputados querem que essas apurações também tenham o sigilo retirado.

O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) afirmou que André Mendonça já não teria condições de permanecer à frente do caso. Para o parlamentar, não haveria equidade ao tornar públicas determinadas informações enquanto outras permanecem sob sigilo.

A crítica ocorre depois da divulgação de informações relacionadas ao senador Jaques Wagner (PT-BA) e de diálogos atribuídos a Vorcaro envolvendo autoridades como o ministro Alexandre de Moraes, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.

O líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), também cobrou transparência e tratamento isonômico. Segundo ele, o objetivo deve ser permitir que todos os fatos sejam investigados sem proteção a qualquer pessoa envolvida.

CPMI do Dark Horse

Além da ofensiva no STF e na PGR, parlamentares governistas começaram a buscar assinaturas para a criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, a chamada CPMI do Dark Horse. A iniciativa pretende investigar as circunstâncias envolvendo o financiamento da produção cinematográfica.

A movimentação amplia a pressão política em torno do caso Master justamente quando as investigações provocam tensão dentro do próprio Supremo.

Do outro lado, a oposição também intensifica sua ofensiva. Parlamentares articulam no Senado um processo de impeachment contra Alexandre de Moraes. Há ainda pedido de afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, queixa-crime contra Paulo Gonet e pressão para que Fachin leve as questões envolvendo o Banco Master ao plenário do STF.

O cenário coloca diferentes autoridades e grupos políticos em lados opostos da disputa sobre a condução das investigações. Enquanto governistas questionam a imparcialidade de André Mendonça e cobram a divulgação de informações relacionadas ao Dark Horse, setores da oposição concentram as críticas em Moraes e outras autoridades citadas no caso.

Com o aumento da pressão sobre o Supremo, caberá agora às instituições acionadas analisar os pedidos. A discussão sobre quem deve conduzir as investigações e quais informações devem permanecer sob sigilo tende a manter o caso Banco Master no centro da disputa política e institucional em Brasília.

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