Mulher havia relatado agressões, ameaças de morte e disse que reagiu após companheiro invadir residência em Goiânia
O delegado da Polícia Civil de Goiás Humberto Teófilo relembrou um caso de grande repercussão envolvendo uma mulher que matou o companheiro com uma facada no pescoço após, segundo as investigações iniciais, sofrer agressões e ameaças. Na ocasião, Teófilo decidiu não ratificar a prisão em flagrante ao entender que ela havia agido em legítima defesa.
O episódio ocorreu na noite de 15 de junho de 2025, no Bairro Ipiranga, em Goiânia. A mulher, identificada pela imprensa como Rosimara Gama, foi conduzida pela Polícia Militar até a Central Geral de Flagrantes após atingir o companheiro com uma faca. Depois de analisar as circunstâncias apresentadas, Humberto Teófilo determinou sua liberação.
Ao recordar o episódio, o delegado afirmou que a mulher vinha sofrendo violência doméstica e corria risco de ser morta.
“Vocês sabiam que eu fui o único delegado do Brasil que soltou uma mulher num plantão porque ela matou o seu atual companheiro com uma facada no pescoço dele?”, declarou Teófilo.
Reportagens publicadas à época apontam que, conforme o relato prestado pela mulher, o companheiro teria iniciado as agressões motivado por ciúmes. Ela afirmou ter levado tapas, sido puxada pelos cabelos e jogada no chão. A Polícia Militar chegou a ser acionada, mas o homem deixou o local antes da chegada da equipe.
Segundo a versão apresentada à polícia, a situação se agravou quando ele retornou à residência e teria ameaçado matar a mulher e seu filho adolescente. O homem ainda teria utilizado um veículo para arrombar o portão da casa. Foi nesse contexto que Rosimara afirmou ter usado uma faca para se defender, atingindo o companheiro uma única vez no pescoço.
Mesmo ferido, o homem deixou o imóvel de carro e posteriormente foi encontrado morto nas proximidades do Terminal Padre Pelágio, na região da Avenida Castelo Branco.
Teófilo sustentou que os elementos apresentados naquele momento eram compatíveis com legítima defesa e, por isso, não ratificou a prisão em flagrante.
“Ela estava sendo espancada todos os dias, o marido dela iria matá-la naquela hora e ela reagiu. […] Ela atuou de forma correta”, relembrou o delegado.
À época, Teófilo chegou a classificar a mulher como uma “heroína”, afirmando que a reação teria protegido não apenas a vida dela, mas também a de seu filho. O caso posteriormente seria encaminhado à Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) para continuidade das investigações.
A trajetória de Humberto Teófilo é ligada à segurança pública. Ele ingressou na Polícia Civil de Goiás após ser aprovado para delegado aos 25 anos e posteriormente exerceu mandato de deputado estadual, tornando a segurança uma das principais pautas de sua atuação pública.
O episódio voltou a ser citado por Teófilo como exemplo de sua posição de que mulheres submetidas a situações de violência e risco iminente de morte devem ter reconhecido o direito de se defender quando presentes os requisitos legais da legítima defesa.
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