Ex-governador conta com dezenas de policiais militares à disposição enquanto amplia agenda nacional e se movimenta como pré-candidato ao Palácio do Planalto

Em um momento em que milhares de goianos enfrentam dificuldades para acessar serviços públicos de qualidade, uma informação chama a atenção pelo tamanho da estrutura custeada pelos cofres estaduais: o ex-governador Ronaldo Caiado conta com 51 policiais militares da ativa destacados para sua segurança e a de seus familiares.

Segundo dados divulgados recentemente, a folha salarial da equipe de segurança soma aproximadamente R$ 797,5 mil por mês. Quando são incluídas despesas com deslocamentos, hospedagens, diárias e outras gratificações, o custo mensal pode se aproximar de R$ 1 milhão.

Os números ganham ainda mais repercussão diante do cenário político. Embora ainda não tenha oficializado candidatura à Presidência da República, Caiado intensificou sua agenda nacional e participa de eventos em diferentes estados, especialmente em São Paulo, em uma clara movimentação de pré-campanha.

A questão que surge é inevitável: até que ponto é razoável que o contribuinte arque com uma estrutura desse porte para atender um ex-governador que atualmente dedica parte significativa de sua rotina à construção de um projeto político nacional?

O debate se torna ainda mais relevante quando se observa que a estrutura também acompanha a ex-primeira-dama Gracinha Caiado, apontada como possível candidata ao Senado. Para muitos críticos, a situação gera questionamentos sobre os limites entre a segurança institucional garantida por lei e o uso de recursos públicos em atividades com evidente caráter político.

Caiado argumenta que a proteção é prevista pela Constituição Estadual desde 2010 e afirma que apenas quatro integrantes atuam diariamente em sua segurança. O ex-governador também sustenta que seu histórico de enfrentamento ao crime organizado justifica a manutenção de um esquema robusto de proteção.

Ainda assim, os números impressionam. Enquanto faltam investimentos em áreas essenciais como saúde, infraestrutura e segurança pública para a população em geral, o custo milionário de uma estrutura voltada a um único ex-chefe do Executivo inevitavelmente alimenta críticas e provoca questionamentos sobre as prioridades na aplicação do dinheiro público.

O assunto deve ganhar novos capítulos nos próximos meses. O próprio Caiado afirmou que, após a homologação de uma eventual candidatura presidencial, deverá receber reforço da Polícia Federal. Isso significa que a estrutura de proteção poderá ficar ainda maior, ampliando um debate que já desperta forte reação entre contribuintes e observadores da cena política.

Mais do que uma discussão sobre segurança, o caso expõe uma questão central para a sociedade: qual é o limite aceitável para os gastos públicos destinados à proteção de autoridades e ex-autoridades em um país marcado por carências em serviços essenciais?

Fonte: Lauro Jardim, O Globo.

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