Partido ouve lideranças de diferentes espectros políticos e deve definir posição apenas próximo às convenções de julho e agosto

O Republicanos segue sem definir qual posição adotará na disputa pela Presidência da República e mantém uma estratégia de diálogo com diferentes forças políticas. A tendência, segundo apuração, é que a decisão seja tomada apenas mais perto das convenções partidárias, previstas entre o fim de julho e o início de agosto.

Em março, o presidente da sigla, Marcos Pereira, se reuniu com o senador Flávio Bolsonaro, do PL, para discutir o cenário eleitoral. Apesar da conversa, não houve avanço nas tratativas sobre um possível alinhamento nacional.

Nos bastidores, integrantes do partido já consideravam esse desfecho previsível, uma vez que a legenda decidiu adotar cautela e ouvir diferentes atores antes de qualquer definição. Dentro dessa estratégia, está prevista para abril uma reunião com Edinho Silva, presidente do PT, ampliando o diálogo também com o campo governista.

A indefinição reflete a própria composição interna do Republicanos, que abriga alas com posições distintas. De um lado, nomes alinhados ao bolsonarismo, como Hamilton Mourão e Damares Alves. De outro, lideranças que mantêm proximidade com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, especialmente em estados do Nordeste.

A legenda também integra a Esplanada dos Ministérios, com Silvio Costa Filho à frente da pasta de Portos e Aeroportos, o que reforça sua posição estratégica no atual governo.

Sem avanços no debate sobre a corrida ao Palácio do Planalto, as conversas entre Flávio Bolsonaro e Marcos Pereira se concentraram nas disputas estaduais. Em Minas Gerais, por exemplo, o Republicanos trabalha para lançar o senador Cleitinho ao governo.

Durante o encontro, Flávio também indicou que a definição do PL dependerá do posicionamento do deputado Nikolas Ferreira, que tende a apoiar o atual governador Mateus Simões na disputa estadual.

Além disso, o Republicanos já se movimenta em outros estados, apostando na reeleição de Tarcísio de Freitas em São Paulo e articulando candidaturas como Lorenzo Pazolini no Espírito Santo, Otaviano Pivetta em Mato Grosso e Alan Rick no Acre.

Com forte presença no Congresso Nacional e inserção tanto na base governista quanto em setores da oposição, o Republicanos aposta em uma decisão tardia como forma de maximizar seu peso político nas negociações eleitorais.

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