Saída de 48 prefeitos e rompimento de liderança estadual escancaram racha político e críticas diretas ao ex-juiz
A filiação do ex-juiz e senador Sergio Moro ao Partido Liberal no Paraná provocou uma forte crise interna na legenda e desencadeou uma debandada significativa de lideranças municipais. Ao todo, 48 prefeitos deixaram o partido no estado, evidenciando um racha político com potencial de impacto direto nas eleições de 2026.
O movimento foi acompanhado pela saída do então presidente estadual do PL, Fernando Giacobo, que fez duras críticas à chegada de Moro. Em declarações públicas, Giacobo questionou a coerência da filiação, citando episódios envolvendo o ex-ministro da Justiça durante o governo de Jair Messias Bolsonaro.
“Não posso concordar que o partido filiou um cidadão que, ao sair do Ministério da Justiça, fez acusações graves contra o presidente da República na época”, afirmou. Segundo ele, a postura de Moro ao deixar o governo, incluindo depoimentos à Polícia Federal e denúncias sobre a existência de um suposto “gabinete do ódio”, torna inviável seu apoio político dentro do partido.
Giacobo também destacou que a filiação rompeu um acordo político previamente estabelecido com Bolsonaro. De acordo com ele, havia um compromisso firmado para que o PL no Paraná apoiasse um nome indicado pelo governador Ratinho Júnior, em troca do apoio à candidatura de Felipe Barros na chapa oficial.
“O acordo foi quebrado”, disse o ex-dirigente, ressaltando que ele e Felipe Barros percorreram todas as 399 cidades do Paraná em 2025 reforçando esse alinhamento político junto a prefeitos, vice-prefeitos e vereadores da legenda.
A crise no PL paranaense expõe um cenário de fragmentação interna em um dos principais estados do país, colocando em xeque a unidade da sigla às vésperas do próximo ciclo eleitoral. A entrada de Sergio Moro, que já foi protagonista de disputas políticas nacionais, agora se torna também um fator de instabilidade regional, com reflexos diretos na base municipal do partido.
Nos bastidores, lideranças avaliam que o episódio pode enfraquecer a estrutura do PL no Paraná e abrir espaço para reconfigurações políticas, especialmente entre grupos alinhados ao bolsonarismo, que resistem à presença do ex-juiz na legenda.

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