Após repercussão, gestão municipal afirma que não houve pedido de afastamento do cargo e diz que medida já foi adotada internamente

A repercussão de uma recomendação do Ministério Público do Estado de Goiás sobre possível conflito de interesses em Santa Tereza de Goiás gerou dúvidas, questionamentos e até versões divergentes. Mas, após contato direto da reportagem com a prefeitura, um ponto foi esclarecido: o afastamento citado não se refere ao cargo de secretária, mas sim à função de fiscal de contrato.

A recomendação do MPGO, que segue publicada no site oficial do órgão, trata do afastamento da secretária de Assistência Social da fiscalização de contrato público, após indícios de irregularidade em um processo de inexigibilidade de licitação envolvendo um imóvel ligado à própria gestora.

Na tarde desta quarta-feira, a equipe de reportagem conversou por telefone com a prefeita Leia Mendonça e com o consultor jurídico do município, que detalharam a posição da administração.

Segundo o jurídico da prefeitura, houve um equívoco na interpretação inicial das informações divulgadas. “O Ministério Público divulgou uma nota solicitando o afastamento da secretária, mas já havia sido identificada internamente uma inconsistência. A própria nota foi corrigida”, afirmou.

Ainda de acordo com a gestão, a secretária não exerceria formalmente a função de fiscal do contrato, e teria havido um erro na identificação da responsável. “Houve uma falha no nome da fiscal. A Secretaria foi mencionada de forma equivocada. Já revisamos isso com nossa equipe técnica”, explicou o representante jurídico.

Mesmo assim, a prefeitura afirma que a medida recomendada já foi adotada. “A troca na fiscalização do contrato já foi realizada”, garantiu.

A prefeita reforçou que não há irregularidade na contratação do imóvel e destacou que o espaço foi escolhido por concentrar diversos serviços públicos em um único local, como Assistência Social, Conselho Tutelar e atendimentos da Polícia Civil, com foco em melhorar o atendimento à população.

Apesar dos esclarecimentos da prefeitura, o caso segue sob atenção. Isso porque a recomendação do MPGO foi motivada por indícios de possível conflito de interesses — e não por uma conclusão definitiva.

O episódio revela um cenário delicado: de um lado, um órgão de fiscalização que aponta suspeitas e cobra medidas; do outro, uma gestão que nega irregularidades, corrige informações e afirma já ter adotado providências.

No meio disso, fica o papel essencial da imprensa: apurar, confrontar versões e garantir que a população tenha acesso à informação correta — sem distorções, mas também sem omissões.

Porque, no fim, mais importante do que versões, é a verdade dos fatos.

Deixe um comentário