Com recursos de acordos penais, iniciativa aposta na qualificação profissional como caminho para autonomia, reinserção social e redução da reincidência
Em um cenário onde oportunidades ainda são desiguais, uma iniciativa em Goiás tem mostrado que investir em capacitação pode ser o ponto de virada na vida de muitas mulheres. O Ministério Público do Estado de Goiás destinou R$ 45 mil para cursos de qualificação profissional voltados a mulheres em privação de liberdade e integrantes de comunidades quilombolas, reforçando o papel social da Justiça para além das decisões judiciais.
Os recursos, oriundos de acordos penais, foram viabilizados pelas 1ª e 2ª Promotorias de Justiça de Pires do Rio e garantiram a compra de materiais, insumos e equipamentos essenciais para a realização das formações ao longo de 2025 e com continuidade prevista para o primeiro semestre de 2026. A ação é realizada em parceria com o Instituto Federal Goiano, dentro do Programa Mulheres Mil — uma iniciativa nacional voltada à inclusão produtiva e social de mulheres em situação de vulnerabilidade.
Mais do que números, o projeto carrega histórias de recomeço. No último dia 19 de março, 27 mulheres privadas de liberdade receberam certificação no curso de produção de frutas e hortaliças processadas na Unidade Prisional Feminina de Orizona. Para muitas delas, foi a primeira oportunidade concreta de adquirir uma profissão e vislumbrar um futuro diferente.
Ao longo de 2025, dezenas de mulheres foram beneficiadas em diferentes unidades prisionais do estado. Em Orizona, cursos como produção de hortaliças e contação de histórias somaram mais de 100 certificações. Já em Goianápolis, mulheres se qualificaram na área de maquiagem, enquanto em Aparecida de Goiânia, internas participaram de formação como pintoras de obras imobiliárias.
A iniciativa também alcançou comunidades quilombolas, ampliando seu impacto social. Em cidades como Rio Verde, Piracanjuba, Professor Jamil e Cromínia, mulheres foram capacitadas em áreas como panificação, bordado manual, estética e produção de doces e conservas — atividades que podem se transformar em fonte de renda e independência financeira.
Para o promotor de Justiça Fabrício Roriz Hipólito, o investimento vai além da qualificação técnica. “Destinar recursos para este projeto é investir diretamente na redução da reincidência criminal e no fortalecimento da autonomia dessas mulheres”, destaca.
O projeto deve ganhar ainda mais força nos próximos meses. Com saldo remanescente, novos cursos estão previstos para o primeiro semestre de 2026 em unidades prisionais de Orizona, Inhumas e Luziânia, além de comunidades quilombolas em Campos Belos. Para o segundo semestre, a expectativa é ampliar a oferta com formações em áreas como costura, serigrafia e confecção.
Paralelamente, o Instituto Federal Goiano trabalha na homologação de 500 novas vagas destinadas ao sistema prisional feminino, com investimento estimado em R$ 1 milhão — um indicativo de que a iniciativa pode crescer e alcançar ainda mais mulheres.
Em meio aos desafios do sistema prisional e das desigualdades sociais, o projeto sinaliza um caminho possível: o da educação como ferramenta de transformação, dignidade e reconstrução de trajetórias.

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