Empresários apontam público abaixo do esperado, poucos turistas estrangeiros e impacto de bloqueios no trânsito como fatores principais

A realização do Grande Prêmio do Brasil de Motovelocidade em Goiânia gerou grande expectativa no setor gastronômico, mas o resultado ficou abaixo do que empresários esperavam.

Donos de bares e restaurantes da capital relataram frustração com o movimento registrado durante o fim de semana do evento. Muitos estabelecimentos haviam se preparado com antecedência, investindo na ampliação das equipes, treinamento de funcionários para atendimento bilíngue e até adaptações nos cardápios para atrair turistas.

A expectativa inicial era de que o fluxo de clientes aumentasse não apenas nos dias de corrida, mas também nas semanas que antecederiam e sucederiam o evento. No entanto, segundo relatos dos empresários, o impacto começou a ser percebido apenas a partir da quinta-feira que antecedeu as provas.

No Kabanas, o movimento ficou dentro da normalidade, com crescimento pontual durante o fim de semana. Ainda assim, o aumento não correspondeu ao cenário projetado anteriormente.

De acordo com o proprietário, houve um crescimento de cerca de 30% no faturamento entre sexta-feira e domingo, mas sem reflexo significativo ao longo da semana. Outro ponto que chamou atenção foi o perfil do público. A maior parte dos clientes era formada por brasileiros, contrariando a expectativa de um volume maior de turistas estrangeiros.

Situação semelhante foi observada no Piquiras. Apesar do fluxo intenso de pessoas, o consumo não acompanhou o ritmo esperado. Segundo a administração, houve uma mudança no comportamento dos clientes durante o evento.

O consumo de bebidas aumentou de forma significativa, enquanto os pedidos de alimentação apresentaram queda. A expectativa de atrair visitantes interessados na experiência gastronômica local também não se confirmou.

Outro fator apontado pelos empresários foi o impacto dos bloqueios no trânsito. No Melt Cozinha de Fogo, a localização próxima ao autódromo, que inicialmente parecia uma vantagem estratégica, acabou se tornando um desafio.

Segundo o gestor, a sexta-feira do evento registrou faturamento inferior ao de uma sexta comum. Já no sábado e domingo houve melhora no movimento, mas ainda dentro de um padrão considerado normal.

A confusão em torno das interdições viárias afastou clientes habituais, que preferiram evitar deslocamentos durante o evento. Ao mesmo tempo, o restaurante não conseguiu atrair novos consumidores na proporção esperada.

Mesmo com a presença de milhares de pessoas na cidade, o setor gastronômico avalia que o impacto econômico foi limitado e concentrado em poucos dias.

O cenário levanta questionamentos sobre o planejamento e a distribuição dos benefícios gerados por grandes eventos, especialmente em relação ao comércio local, que costuma apostar alto nesse tipo de oportunidade.

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