Nomeação foi oficializada no DOU nesta sexta (20); Haddad deixa o cargo para disputar o governo de São Paulo

O Governo Federal oficializou nesta sexta-feira (20) a troca no comando do Ministério da Fazenda. Dario Durigan foi nomeado como novo ministro, substituindo Fernando Haddad, que deixa o cargo para concorrer ao governo de São Paulo.

A formalização saiu no Diário Oficial da União e marca uma mudança estratégica em um momento delicado da economia e do cenário político. Até então secretário-executivo da pasta, Durigan era o número dois da Fazenda e já atuava diretamente nas principais decisões econômicas do governo.

A escolha não foi surpresa. Um dia antes, durante um evento em São Paulo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já havia antecipado publicamente a substituição e apresentado Durigan como o novo responsável pela condução da economia, em tom direto: é ele quem passa a ser cobrado pelos próximos passos da política econômica.

Durigan chega ao cargo com perfil técnico e discreto, mas com forte trânsito dentro do governo e boa capacidade de articulação. Desde 2023, esteve envolvido em medidas importantes, como a recomposição de receitas — que incluiu aumento de tributos —, além da regulamentação da reforma tributária e negociações sobre dívidas dos estados.

Antes disso, teve passagem pela Advocacia-Geral da União e também pelo setor privado, onde atuou como diretor de Políticas Públicas do WhatsApp. Sua ligação com Haddad não é recente: integrou a equipe do ex-ministro ainda na prefeitura de São Paulo, o que reforça a linha de continuidade na gestão econômica.

Agora no comando, o desafio é outro nível. Durigan assume em um ano pré-eleitoral, cenário tradicionalmente mais tenso, com pressão política, embates com a oposição e risco maior de instabilidade. A missão será equilibrar responsabilidade fiscal com demandas sociais e eleitorais.

Entre os principais temas na mesa estão propostas sensíveis, como mudanças na jornada de trabalho, tributação sobre lucros e resultados e revisão de benefícios sociais. Ao mesmo tempo, ele terá que avançar na regulamentação da reforma tributária, incluindo pontos polêmicos como o imposto seletivo — o chamado “imposto do pecado”, que pode impactar diretamente preços de produtos como bebidas alcoólicas e cigarros.

Outro ponto crítico será o cumprimento da meta fiscal de 2026. O governo trabalha com a previsão de um superávit de 0,25% do PIB, mas, na prática, há expectativa de déficit nas contas públicas. O arcabouço fiscal limita o crescimento das despesas, enquanto os gastos obrigatórios seguem pressionando o orçamento e reduzindo o espaço para investimentos.

Além das pressões internas, o cenário externo também complica. A alta no preço do petróleo, impulsionada por conflitos no Oriente Médio, já começa a gerar impacto na inflação e pode dificultar a queda dos juros, afetando o crescimento econômico e a geração de empregos.

Durigan assume, portanto, com uma equação difícil: manter credibilidade fiscal, lidar com restrições orçamentárias, enfrentar um ambiente internacional adverso e, ao mesmo tempo, atravessar um ciclo eleitoral que naturalmente amplia as tensões políticas e econômicas.

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