Grupo teria usado nome de grife internacional para enganar vítimas e causar prejuízo de mais de R$ 4 milhões
Três pessoas foram presas em Goiânia suspeitas de aplicar um golpe milionário envolvendo a organização de um falso evento de luxo. Segundo a Polícia Civil, o esquema causou prejuízo superior a R$ 4 milhões e teve como principal articuladora Mayara Cristina Constantino, de 33 anos.
De acordo com as investigações, o grupo promovia um suposto baile de máscaras exclusivo, cujos convites seriam liberados apenas para quem adquirisse bolsas de uma grife famosa, com valores acima de R$ 15 mil. No entanto, tanto o evento quanto os produtos não existiam.
A delegada Lara Soares, responsável pelo caso, explicou que havia vítimas em duas frentes: fornecedores contratados para estruturar o evento e pessoas que compraram as supostas bolsas para garantir acesso à festa.
O evento estava previsto para ocorrer no Centro de Cultura, Esporte e Lazer da OAB-GO, em Aparecida de Goiânia, mas foi adiado após fornecedores perceberem a ausência de pagamentos. Uma nova data havia sido marcada para o dia 21, o que levantou ainda mais suspeitas.
Para dar aparência de legitimidade ao golpe, Mayara criou uma personagem fictícia chamada “Fran de Pierre”, apresentada como uma empresária portuguesa radicada em Paris e suposta responsável pela organização do evento. A suspeita produzia e-mails falsos, em português e francês, e os encaminhava às vítimas como forma de validar as negociações.
Além disso, Mayara utilizava suas redes sociais, onde se apresentava como consultora de imagem e estilo, para atrair vítimas e reforçar a credibilidade do esquema. O perfil reunia milhares de seguidores e era usado tanto para vender as bolsas quanto para divulgar o evento inexistente.
As investigações apontam que o marido da suspeita, ex-servidor público federal, recebia os valores obtidos com o golpe. Ele e uma cunhada de Mayara também foram presos. A polícia ainda apura o grau de envolvimento de cada um no esquema.
Até o momento, foram identificadas ao menos sete vítimas em Goiás, além de indícios de pessoas prejudicadas em outros estados, como Pará e Paraná. A polícia não descarta a existência de um número maior de vítimas e segue investigando o caso.
O trio foi preso ao sair de casa, após a polícia identificar risco de fuga. Eles devem responder inicialmente por estelionato, mas outras acusações, como associação criminosa e crimes relacionados ao uso indevido de marca, também estão sendo apuradas.
A Polícia Civil orienta que possíveis vítimas procurem as autoridades para registrar ocorrência e colaborar com as investigações, que seguem em andamento.

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