Esposa relata dor após quase dois meses sem notícias de agricultor desaparecido

Quase dois meses após o desaparecimento do agricultor Cícero Francisco de Sousa, de 35 anos, a família ainda vive um cotidiano marcado pela incerteza. Sem respostas concretas, os dias se arrastam entre buscas, expectativas e um silêncio que só aumenta a angústia de quem espera por notícias.

Cícero foi visto pela última vez no dia 21 de janeiro, ao sair da rodoviária de Goiânia com destino a Chapadão do Sul, no Mato Grosso do Sul. Ele deixava o Ceará pela primeira vez, motivado pela chance de trabalho no corte de cana-de-açúcar e pela esperança de melhorar a vida da esposa e das duas filhas.

Antes de embarcar, ele ainda enviou mensagem avisando que estava a caminho. Era o início de uma mudança planejada com expectativa, mas que acabou interrompida de forma repentina e até hoje sem explicação.

Durante a viagem, nas proximidades de Guapó, o trajeto foi interrompido por uma situação inesperada. O irmão que o acompanhava apresentou sinais de surto e pediu para descer do ônibus. Assim que o veículo parou, ele correu em direção a uma área de mata às margens da rodovia. Cícero desceu logo em seguida, numa tentativa imediata de ajudar o familiar, e entrou na vegetação. Foi a última vez que ele foi visto.

Horas depois, o irmão foi encontrado desorientado à beira da estrada, mas sem conseguir explicar com clareza o que havia acontecido. Desde então, Cícero não foi mais localizado.

As buscas começaram ainda nos primeiros dias, com familiares que vieram de outros estados e apoio do Corpo de Bombeiros. Áreas de mata, margens da rodovia e pontos próximos foram percorridos em diversas tentativas de encontrar qualquer vestígio. Um dos irmãos chegou a passar dias na região, insistindo em uma resposta que nunca veio.

Um dos poucos indícios surgiu por meio de imagens de câmera de segurança de um restaurante próximo ao local do desaparecimento. Os registros mostram que Cícero ainda foi visto caminhando sozinho durante a madrugada, dias depois do ocorrido. Após isso, não há mais qualquer pista confirmada sobre o paradeiro dele.

A Polícia Civil informou que todas as medidas possíveis foram adotadas até o momento. O perfil genético do agricultor foi incluído no Cadastro Nacional de Desaparecidos, o que permite cruzamento de informações em todo o país. Mesmo assim, o caso segue sem solução e permanece em aberto.

Enquanto as buscas seguem sem resultado, a família enfrenta uma realidade ainda mais dura. Além do sofrimento emocional, surgiram dificuldades financeiras. Cícero era o principal responsável pelo susto da casa, e sua ausência impacta diretamente a sobrevivência da família.

A esposa, Francerli Pereira, resume o sentimento em poucas palavras, mas com um peso difícil de medir. Segundo ela, a dor de não saber o que aconteceu transforma a rotina em algo quase insuportável, onde cada dia sem notícia aprofunda ainda mais a angústia.

O desaparecimento de Cícero expõe uma situação que se repete em diversos casos pelo país: famílias que ficam presas no tempo, sem respostas, vivendo entre a esperança de reencontro e o medo do pior. É uma espera silenciosa, marcada pela ausência e pela falta de explicações.

Qualquer informação que possa ajudar a localizar o agricultor pode ser repassada à Polícia Civil pelo telefone 197.

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