Atriz de Realengo vive personagem em “Garota do Momento” e comenta sobre racismo, machismo e sexualidade na novela

A atriz Rebeca Carvalho, de Realengo, no Rio, é estreante na TV – Foto: Larissa Vieira=

Desde criança, Rebeca Carvalho, 21 anos, sabia que queria seguir o caminho das artes. Sua trajetória ganhou novo rumo ao entrar para a escola de teatro Entre Lugares, na Maré, onde começou a atuar e foi indicada para um teste na novela Garota do Momento, da TV Globo. Aprovada, a atriz celebra a estreia na televisão e a oportunidade de dar vida a uma personagem que aborda pautas importantes, como racismo, machismo e homofobia.

Uma trajetória marcada pela representatividade
Rebeca sempre sonhou em viver da arte, mas admite que, como artista independente, enxergava esse objetivo como algo distante. “No Brasil, as pessoas não vivem do que amam, elas sobrevivem“, afirma. Agora, ao ver o protagonismo negro ganhando espaço, sente-se parte de uma mudança. “A Taís Araújo foi muito julgada na sua primeira protagonista no horário nobre. Hoje, vemos tantas personalidades negras no topo, e isso tem um valor imenso.

Na novela, o racismo é abordado de forma diferente do que se costuma ver na TV. “É muito fácil colocar personagens negros no lugar de subalternidade, mas aqui vemos personagens negros vivendo histórias completas, sem se limitarem a papéis de serviçais“, explica Rebeca. A autora da trama, Alessandra Poggi, buscou criar um Brasil que poderia ter sido, mas não foi, trazendo reflexões com leveza no horário das 18h.

Vida pessoal e quebra de tabus
Além da representatividade racial, a novela aborda a homofobia e a questão da liberdade feminina. Sua personagem, Ana Maria, apoia Guto, interpretado por Pedro Goifman, que está se descobrindo. “Já fui essa amiga que acolheu e já precisei ser acolhida também“, conta a atriz, que se assumiu bissexual recentemente.

Para ela, falar abertamente sobre sua sexualidade foi importante para evitar julgamentos futuros. “Se aparecesse com uma mulher antes de me assumir, as pessoas ficariam sem entender. Então, preferi falar com naturalidade, sem vergonha.

A atriz também critica o preconceito contra mulheres solteiras. “Ouvi muito que ficaria ‘para titia’ porque não me relacionava muito. Mas não precisamos de um homem para nada. Antes só do que mal acompanhada”, finaliza.

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