Ator destaca preparação imersiva para o filme de Walter Salles e reflete sobre o processo de criação do agente Schneider.

Com uma carreira marcada por papéis que exploram temas sociais, Luiz Bertazzo, de 39 anos, é uma figura em ascensão no audiovisual brasileiro. Em entrevista, ele falou sobre sua experiência no longa Ainda Estou Aqui, dirigido por Walter Salles, onde interpreta o agente Schneider. Segundo Bertazzo, o papel foi desafiador e exigiu uma abordagem única de preparação.
“O filme foi pensado para dar ao elenco os melhores instrumentos para a interpretação. Fizemos os ensaios na casa já montada para as filmagens, o que não é comum nas produções“, revelou o ator. Essa imersão permitiu que o elenco captasse nuances importantes, especialmente para Bertazzo, que precisava construir um vilão com camadas sutis.
A complexidade de Schneider
Schneider, um agente da ditadura militar, representa a violência contida que permeia a trama. Bertazzo explicou que o desafio maior foi equilibrar a crueldade do personagem com sua humanidade, evitando caricaturas. “Todo vilão é herói de sua própria história. Minha ideia era defender o Schneider para que ele fosse real“, afirmou.
A construção do personagem foi enriquecida pela colaboração com Fernanda Torres. Durante os ensaios, a atriz brincava sobre a vida pessoal de Schneider, imaginando-o como um “ótimo pai e excelente marido“, o que ajudou Bertazzo a encontrar o lado humano do antagonista. “Ela foi situando aquilo que ela via, e eu fui trilhando esse caminho. Foi uma generosidade enorme da parte dela“, relembrou.
Relação com a história real
Inspirado nos relatos do livro de Marcelo Rubens Paiva, o filme retrata a brutalidade dos agentes da ditadura, que muitas vezes escondiam sua violência por trás de uma fachada de normalidade. Bertazzo destacou o impacto de uma das cenas mais tensas do longa, quando Schneider lidera a invasão à casa de Rubens Paiva: “Foi ali que entendi o peso que o personagem tinha como símbolo da violência do regime.“
Ao refletir sobre o trabalho, o ator enfatizou que “esconder para revelar” foi a chave para trazer profundidade ao personagem. Até mesmo um gesto improvisado, como o desprezo de Schneider por um disco de Caetano Veloso, ganhou significado. “Esse movimento de conter a atuação torna cada detalhe grandioso“, concluiu.
Ainda Estou Aqui reafirma a habilidade de Luiz Bertazzo em interpretar personagens complexos e sua dedicação a papéis que provocam reflexão social.

Deixe um comentário