Atriz registra queixa após perseguição de fã e especialista alerta sobre obsessões que ultrapassam admiração

A atriz Paolla Oliveira, 42, recentemente denunciou uma seguidora e ex-figurante da TV Globo por perseguição e ameaças, revelando um problema que afeta várias figuras públicas e que, segundo a psicanalista Ana Lisboa, vai muito além da simples admiração. De acordo com a especialista, o stalking reflete uma dependência emocional extrema, em que o perseguidor projeta na celebridade o que sente faltar em sua própria vida.

Lisboa explica que a obsessão tem raízes profundas, geralmente ligadas a traumas de rejeição na infância. Esse tipo de perseguidor busca preencher um vazio emocional, criando uma conexão ilusória com a figura pública. “A pessoa sente que precisa dos olhos do outro para se sentir vista e reconhecida“, afirma a psicanalista. Esse comportamento pode se transformar em uma “psicose”, onde o perseguidor cria uma narrativa própria e ilusória de conexão com a celebridade, reforçada por interações reais ou imaginárias. A especialista relembra casos semelhantes, como os enfrentados por Débora Falabella e Fernanda Torres, além de Harry Styles, cuja casa foi alvo de um fã obsessivo.

O comportamento stalker é alimentado por qualquer atenção recebida, mesmo mínima. “Esse contato reforça a fantasia e intensifica o comportamento obsessivo, levando o perseguidor a ultrapassar limites pessoais e legais”, detalha Lisboa, destacando que a ausência de contato direto pode desencadear angústia e até comportamentos violentos, como no caso do assassinato de John Lennon em 1980.

Para a psicanalista, o stalking é menos sobre a celebridade e mais sobre o vazio emocional que leva a pessoa a repetir esse padrão de dependência. Lisboa enfatiza que é crucial o stalker buscar ajuda psicológica, pois, sem tratamento, o ciclo de rejeição e obsessão tende a se repetir com novas vítimas. “Trata-se de uma dor profunda de rejeição que precisa de atenção e tratamento para que o perseguidor possa encontrar um caminho de cura.

O caso de Paolla Oliveira ilustra bem esse padrão. A atriz registrou um boletim de ocorrência na 16ª Delegacia de Polícia da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, após a fã, uma ex-figurante, demonstrar comportamentos obsessivos e agressivos, incluindo ligações incessantes durante a madrugada e cobranças de atenção da atriz. Paolla revelou estar assustada, sobretudo após a mulher ameaçar tirar a própria vida.

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