Decisão segue orientação do Ministério da Saúde e da Anvisa enquanto são apurados 42 eventos adversos graves registrados no país, incluindo duas mortes suspeitas; em Goiás, mais de 10 mil doses foram aplicadas e um caso segue sob investigação

A Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) suspendeu temporariamente a aplicação da vacina Butantan-DV, desenvolvida pelo Instituto Butantan para prevenção da dengue. A medida acompanha determinação do Ministério da Saúde e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que decidiram interromper preventivamente a vacinação até a conclusão das investigações sobre casos de reações adversas graves registrados no Brasil.

A suspensão ocorre após a identificação de 42 eventos adversos severos em pessoas imunizadas, dos quais três apresentaram sinais compatíveis com dengue grave. Entre esses casos, dois evoluíram para óbito e seguem sob investigação das autoridades sanitárias. Até o momento, não há confirmação de que as mortes tenham sido causadas pela vacina, e os órgãos responsáveis reforçam que a interrupção foi adotada por cautela enquanto os dados são analisados.

Durante coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira (9), a subsecretária de Vigilância em Saúde da SES-GO, Fluvia Amorim, destacou que os casos graves representam uma parcela extremamente pequena diante do total de pessoas vacinadas. Segundo ela, mais de 500 mil doses do imunizante foram aplicadas no país desde o início da campanha.

A gestora explicou que a ocorrência de três eventos graves entre centenas de milhares de vacinados corresponde a uma taxa considerada rara. Ainda assim, por se tratar de um evento inesperado, os protocolos de segurança determinam a suspensão temporária da aplicação até que seja possível esclarecer se existe ou não relação entre os casos registrados e a vacina.

A vacina do Instituto Butantan começou a ser aplicada no Brasil em fevereiro deste ano, inicialmente destinada a profissionais de saúde que atuam na atenção primária. Apenas três municípios brasileiros participaram de uma estratégia ampliada de vacinação em massa da população. Goiás não integra esse grupo de cidades e, portanto, não teve aplicação do imunizante fora do público inicialmente definido.

No estado, foram administradas 10.672 doses da Butantan-DV entre fevereiro e a última segunda-feira (8). De acordo com a Secretaria de Saúde, existe apenas um caso de evento adverso em investigação relacionado à vacina. A paciente recebeu atendimento médico, apresentou melhora clínica e já recebeu alta hospitalar, permanecendo em acompanhamento pelas equipes responsáveis.

As autoridades de saúde orientam que profissionais que receberam a vacina há menos de 21 dias procurem uma unidade de saúde caso apresentem sintomas como febre, dores no corpo, dor de cabeça, prostração, náuseas ou vômitos. A recomendação é informar aos profissionais de saúde sobre a vacinação para que seja iniciado o protocolo de monitoramento e investigação, quando necessário.

A SES-GO reforça que todos os casos suspeitos precisam ser notificados e analisados. O objetivo é reunir informações suficientes para determinar se os sintomas apresentados possuem relação com a vacinação ou se podem estar associados a outras condições clínicas.

Apesar da suspensão da vacina do Butantan, a campanha de imunização contra a dengue continua no estado com a utilização da Qdenga, vacina produzida pelo laboratório japonês Takeda. Segundo a Secretaria de Saúde, não há qualquer restrição relacionada ao uso desse imunizante, que permanece disponível para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos conforme as diretrizes do Programa Nacional de Imunizações.

De acordo com a subsecretária Fluvia Amorim, a Qdenga não apresentou notificações ou investigações que justificassem alteração em sua utilização. Por isso, a recomendação é que a população contemplada pela campanha continue buscando a vacinação normalmente.

A manutenção da imunização é considerada fundamental pelas autoridades sanitárias diante do impacto da dengue no estado. Dados da Secretaria de Saúde apontam que Goiás registrou 122 mortes provocadas pela doença ao longo de 2025. O cenário reforça a preocupação com a circulação do vírus e a importância das medidas de prevenção.

Além da vacinação, o combate aos focos do mosquito Aedes aegypti continua sendo apontado como uma das principais estratégias para reduzir casos e evitar novos surtos. A eliminação de recipientes com água parada e a adoção de cuidados preventivos seguem entre as orientações das equipes de vigilância epidemiológica.

Em nota divulgada à imprensa, o Instituto Butantan informou que acompanha a decisão das autoridades sanitárias e reafirmou seu compromisso com a segurança da população. A instituição declarou que seguirá colaborando com o Ministério da Saúde e com a Anvisa, fornecendo informações técnicas, ampliando estudos e acompanhando o trabalho de farmacovigilância dos vacinados.

O instituto também destacou que a vacina apresentou eficácia global de 79,6% e proteção de 89% contra casos graves de dengue em estudos científicos publicados internacionalmente. Segundo o Butantan, o monitoramento realizado nos municípios de Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG), onde houve vacinação em larga escala, não identificou ocorrências relevantes de reações adversas na população.

A expectativa agora é pela conclusão das investigações conduzidas pelos órgãos de saúde. Os resultados deverão indicar se os eventos registrados possuem relação causal com a vacina ou se ocorreram por outros fatores independentes da imunização. Até que a análise seja finalizada, a aplicação da Butantan-DV permanecerá suspensa em Goiás e nos demais estados brasileiros.

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