Ex-superintendente da Defesa Civil afirma que conduziu articulação em Brasília e detalha como recursos foram liberados para conter crateras na cidade
A disputa por narrativa em torno das obras que resolveram graves problemas de erosão em Aparecida de Goiânia ganhou um novo capítulo. O ex-superintendente da Defesa Civil, Juliano Cardoso, decidiu vir a público para contestar informações divulgadas por integrantes do PL nas redes sociais e apresentar sua versão sobre como os recursos chegaram ao município.
Segundo Juliano, o processo foi conduzido diretamente por ele, ainda no período em que ocupava a função na gestão do então prefeito Maguito Vilela. Ele afirma que esteve à frente de toda a articulação técnica e institucional que garantiu o reconhecimento federal e a liberação de verbas para conter os estragos causados por erosões em diversos pontos da cidade.
De acordo com o ex-superintendente, Aparecida sempre enfrentou sérios problemas estruturais, principalmente na drenagem pluvial. Em períodos chuvosos, a situação se agravava, causando danos em ruas, pontes e bueiros, além de abrir grandes crateras em bairros inteiros. Em muitos casos, o município não tinha condições financeiras de arcar sozinho com os prejuízos.
Foi nesse cenário que, ainda em 2009, a Defesa Civil identificou ao menos 12 pontos críticos com processos erosivos graves. Com base em laudos técnicos e relatórios detalhados, o município conseguiu o reconhecimento do governo federal e decretou situação de emergência, passo essencial para viabilizar o envio de recursos.
Juliano destaca que, apesar da burocracia e da demora em alguns momentos, houve apoio político importante para destravar os repasses. Entre os nomes citados, está o então deputado federal Professor Alcides, que atuou em Brasília abrindo portas nos ministérios e ajudando a acelerar a liberação das verbas.
Os recursos foram aplicados em regiões críticas como Monte Serrat, Jardim Luz e áreas próximas à BR-153, onde as crateras colocavam em risco a segurança da população. Em 2010, um novo episódio grave atingiu a região do Garavelo, exigindo mais uma força-tarefa.
Segundo Juliano, graças ao trabalho técnico da Defesa Civil, reconhecido por órgãos federais e pelo Corpo de Bombeiros, foi possível garantir cerca de R$ 18 milhões apenas para resolver o problema de drenagem no Garavelo, eliminando um histórico ponto de erosão.
No total, ele afirma que aproximadamente R$ 70 milhões foram viabilizados ao longo do período, resultado de um esforço conjunto que envolveu equipe técnica, articulação política e a liderança da gestão municipal da época.
Ao rebater a versão divulgada por adversários, Juliano reforça que o trabalho não foi isolado, mas também não pode ser distorcido. Ele faz questão de destacar que diversos atores contribuíram, incluindo políticos de diferentes esferas, além de órgãos como o Corpo de Bombeiros.
A declaração reacende o debate político sobre quem, de fato, teve protagonismo na solução de um dos problemas mais graves já enfrentados por Aparecida de Goiânia. Enquanto versões diferentes circulam nas redes sociais, os bastidores revelam que, por trás das obras, houve um processo complexo, técnico e fortemente dependente de articulação em Brasília.






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